Como o Budismo Me Salvou da Minha Maior Queda - André Vilaça

      Eu tinha 18 anos. Ainda era um jovem sonhador, com planos, expectativas e um desejo profundo de me tornar professor de História. Achava que o mundo estava à minha espera — até que, num só dia, tudo desmoronou.

         Fui arrastado para uma depressão profunda, daquelas que nos consomem por dentro em silêncio. Quando falo sobre isso hoje, muitas pessoas custam a acreditar que eu tenha passado por tanto. Mas a verdade é que não conseguia dormir, odiava-me profundamente, chorava todas as noites. Sentia-me um estranho dentro do meu próprio corpo. Uma solidão difícil de explicar.

        Daquele ano, duas perdas me marcaram para sempre. Primeiro, perdi aquele que eu achava ser o meu melhor amigo. Entrou para a universidade e, de repente, parecia que já não havia mais espaço para a nossa amizade de infância. Fui deixado para trás. E logo depois, perdi a minha avó materna — a mulher que me criou, que me ensinou tantas coisas e me deu carinho quando mais precisei. Era como perder o chão duas vezes seguidas.

       Se eu pudesse resumir aquele momento em duas palavras, seriam: dor absoluta. A minha vida, naquele instante, parecia não fazer mais sentido.

       Foi então que, num gesto simples, alguém me ofereceu um livro sobre o Budismo. Um presente que mudaria completamente o rumo da minha vida. Foi ali que conheci a história de Siddhartha Gautama, o príncipe que renunciou aos seus privilégios para compreender a dor do mundo — e que se tornaria o Buda, o Iluminado.

        As palavras daquele livro tocaram algo profundo dentro de mim. Pela primeira vez, senti que havia um caminho para a minha dor. Um caminho que não passava por negações, mas por compreensão, aceitação e transformação.

         O Budismo não apagou o meu sofrimento. Mas ensinou-me que o sofrimento faz parte da vida — e que é possível atravessá-lo com compaixão, com presença e com sabedoria. Desde então, nunca mais fui o mesmo.

                                                                                         André Vilaça 


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