Sim, eu sou Budista – e isso mudou a minha vida - André Vilaça
Às vezes, as pessoas não me levam a sério quando digo que sou Budista. Mas sim, eu sou Budista – com orgulho e convicção. Sigo o Budismo Zen, pois acredito que ele preserva os ensinamentos do Budismo Primitivo, os verdadeiros ensinamentos de Buda, aquele que despertou, o Iluminado.
Lembro-me de uma vez em que entrei na sala, onde toda a minha família estava reunida, e anunciei que era Budista. Foi um momento importante para mim. O Budismo me salvou de uma profunda depressão quando eu tinha 18 anos. No entanto, todos me olharam como se eu estivesse a brincar. Minha mãe comentou que devia ser apenas uma fase. Mas aqui estou eu, 22 anos depois, firme no meu caminho espiritual.
Na escola, durante uma aula de Português, a professora perguntou à turma qual era a religião de cada um. Enquanto todos diziam que eram católicos, eu fui o único a responder que era Budista. Não por rebeldia, mas porque é quem eu sou.
Gosto de meditar com a imagem de Buda ao meu lado. Meditar é, para mim, um ato de purificação, de descanso mental. Se todos soubessem a bagunça que às vezes carregamos dentro da mente, entenderiam o valor dessa prática. No entanto, por um tempo, parei de meditar. Quando as pessoas passavam em frente ao meu quarto e me viam, zombavam ou faziam comentários. Então, cedi ao desconforto e deixei de fazer algo que me fazia bem.
Foi uma amiga que me fez repensar. Ela disse que eu não devia parar, se isso me ajudava. Tinha razão. Cada um deve buscar aquilo que o fortalece. A partir daí, passei a fechar a porta do meu quarto para garantir meu espaço e minha paz. Quando a minha irmã pergunta por que fecho a porta, a resposta é simples: estou a meditar. Só eu e o Buda.
Desde que aceitei Buda como o mestre dos mestres, sinto-me uma pessoa muito melhor. A serenidade que encontrei nesse caminho é algo que desejo a todos.
André Vilaça
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